O PAPEL DO WHATSAPP NA ELEIÇÃO DE 2018

12 de nov de 2018

 

Por Maglon Ribeiro

A greve dos caminhoneiros, que interditou milhares de trechos de rodovias em todo o Brasil ao longo de dez dias, no primeiro semestre de 2018, foi considerada a maior mobilização mundial já feita pelo WhatsApp. Os conteúdos compartilhados via este dispositivo de mensagem vem inquietando governo e as instituições no sentido de como lidam com a internet.

 

A mobilização ocorre por motivos sociais. As redes dão uma vazão a esses sentimentos, e, no caso dos caminhoneiros, agrupados em rede, via WhatsApp facilitou que as mensagens se espalhassem rapidamente por diferentes pontos do Brasil. Tal experiência, segundo alguns estudiosos do assunto, já previam que o WhatsApp, fatalmente impactaria nas eleições de 2018 no Brasil, o que de fato ocorreu.

O ponto relevante do uso do WhatsApp durante a campanha eleitoral deste ano, não foi, o que mais se espera numa disputa para o cargo político mais importante do País, as discussões das propostas, ideias e projetos dos programas de governo dos candidatos, mas, a contaminação da nossa sociedade por notícias enganosas e boatos espalhados pelas redes sociais e, sobretudo do WhatsApp para as ruas. Depois dos EUA, India e Sri Lank ,a fake News chega ao Brasil, em plena campanha presidencial, de forma avassaladora.

Levantamento da Agência Lupa mostra que só as 10 notícias enganosas mais populares entre agosto e outubro deste ano somaram 865 mil compartilhamentos no Facebook. São mais de 200 milhões de celulares habilitados no país, o que torna o WhatApp ao lado de outras mídias sociais, extremamente importante nas disputas eleitorais a partir de agora.

O fenômeno fake, o que podemos chamar de “fraude viral” já havia disseminado nos EUA na campanha de Donald Trump, conhecido por métodos questionáveis para ganhar as eleições.

Numa campanha eleitoral não basta somente usar o instrumental das mídias sociais, veiculando notícias, fotos, bannes, vídeos, se, por trás não houver uma estratégia que dê sustentação. E isso só é possível com um bom profissional de marketing político, que tenha o domínio de marketing político digital. Na estratégia de marketing político digital, torna-se indispensável a criação de mecanismos de Atração, Engajamento, relacionamento e conversão, de curtidores em verdadeiros eleitores, disseminadores da causa política do candidato.

O marketing político digital é um trabalho de médio prazo. O uso das mídias sociais na estratégia política nos diz que todo dia é dia de campanha. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, soube muito bem usar as mídias sociais na sua estratégia de campanha, engajando mobilizadores virtuais, os disseminadores de notícias, automatizando uma sequência de posts e monitorando as reações das pessoas ao que compartilha, interagiu com os eleitores, acima de tudo, criou um diálogo de maior proximidade entre ele e a sociedade. Como o próprio Bolsonaro declarou “ ganhei a eleição graça as mídias sociais”.

No Brasil são mais de 120 milhões todos os dias usando o aplicativo de mensagens WhatsApp, o que o faz o principal instrumento de conversa e a disseminação de fake news, notícias e demais postagens se espalharem rapidamente, pessoa a pessoa.

Essas características fazem com que a mobilização pelo WhatsApp represente um novo desafio para governos, organizações e políticos acostumados com a comunicação em massa.

 

MURAL DO OESTE / Com Maglon Ribeiro

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