COVID-19: MINISTÉRIO AMPLIA PREVISÃO DE DIAGNÓSTICO CLÍNICO, SEM EXAME LABORATORIAL

25 de jun de 2020

O Ministério da Saúde ampliou a previsão de diagnóstico clínico, sem exame laboratorial, para covid-19. De acordo com anúncio feito pela pasta nesta quarta-feira (24), são 5 critérios de confirmação da doença: laboratorial, clínico-epidemiológico, clínico-imagem, clínico e clínico laboratorial em indivíduo assintomático.

A partir de agora, a notificação de um caso do novo coronavírus poderá ser feita pelo médico sem esperar o resultado laboratorial. São esses os números contabilizados pelas secretarias de saúde locais nos boletins epidemiológicos e repassados ao governo federal.

Questionado em coletiva de imprensa sobre como o ministério irá atuar para evitar que os testes não deixem de ser usados, já que não serão obrigatórios para notificação, o secretário em Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, afirmou que a mudança não concorre com a proposta de testagem. “Em nenhum momento foi dito que é excludente uma coisa com a outra”, afirmou.

Segundo a pasta, o critério apenas clínico inclui casos de síndrome gripal ou de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) associado à perda de olfato ou de paladar agudas, sem outra causa pregressa. O critério clínico-epidemiológico é usado em casos de síndrome gripal ou de SRAG “com histórico de contato próximo ou domiciliar, nos últimos 14 dias antes do aparecimento dos sintomas, com caso confirmado laboratorialmente para covid-19”.

O critério clínico-imagem, por sua vez, é relativo ao caso de síndrome gripal ou de SRAG que não foi possível confirmar ou descartar por critério laboratorial e com alterações tomográficas com a chamada “opacidade em vidro fosco”. O nome é usado para descrever um tipo de alteração pulmonar, um dos principais órgãos afetados pelo SARS-CoV-2.

O diagnóstico laboratorial, por sua vez, é aquele feito por teste molecular (RT-PCR) ou por exames que detectam anticorpos. Os do primeiro tipo, feitos a partir da coleta de secreções nasais ou orais são mais precisos e detectam a presença do vírus no organismo. Já os sorológicos, identificam a presença de anticorpos para o novo coronavírus. A data em que o exame é feito impacta no resultado, que pode dar um falso negativo, especialmente no caso de testes rápidos.

Além dos testes moleculares, o ministério considera diagnóstico clínico resultados positivos de reagente para os anticorpos IgM, IgA e/ou IgG realizado pelos seguintes métodos: ensaio imunoenzimático (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay – ELISA), imunocromatografia (teste rápido) e imunoensaio por Eletroquimioluminescência (ECLIA).

Efeitos do diagnóstico clínico

A incorporação do diagnóstico clínico na política pública nacional de saúde tem sido defendida pelo ministro interino, general Eduardo Pazuello. Nesta terça-feira (23), ele afirmou a parlamentares que a nova estratégia de vigilância epidemiológica “prevê que o diagnóstico clínico é soberano”. “Os nossos médicos têm capacidade e direito de diagnosticar o paciente para dar o protocolo de tratamento”, completou.

Como a única forma de ter certeza de que a pessoa foi contaminada pelo novo coronavírus é pelo resultado laboratorial, esse método é impreciso. Essa opção é especialmente falha porque a covid-19 é uma doença recente e ainda não há consenso sobre todos efeitos do vírus no corpo humano.

A infecção pelo novo coronavírus é uma doença sistêmica, que afeta vários órgãos. A presença do vírus desencadeia a chamada “tempestade de citocinas”, uma resposta imunológica do próprio corpo que, se for descontrolada, pode acabar agravando o quadro.

Além de atacar o sistema respiratório, o vírus é danoso à parede dos vasos sanguíneos. Estudos também identificaram pacientes que desenvolvem sintomas e descompassos neurológicos e lesões na retina, por exemplo.

Questionado pelo HuffPost Brasil se a ampliação do diagnóstico clínico não irá prejudicar ainda mais a qualidade de informações de infectados pelo novo coronavírus no Brasil, Arnaldo Correia reconheceu que “o aspecto físico-patológico da doença ainda nos desafia, principalmente quando ela passa para fase mais grave”, mas afirmou que o objetivo é identificar pacientes na fase inicial, quando a resposta imunológica poderia ser mais eficiente.

O diagnóstico clínico de covid-19 já ocorre no Brasil, mas em pequena proporção. De acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde publicado em 19 de maio, entre 16 de fevereiro e 9 de maio, foram notificados 1.119.804 casos suspeitos, sendo 117.598 (10,5%) confirmados, 178.956 (16,0%) descartados, 68 (0,0%) casos prováveis e 823.182 (73,5%) ainda em investigação, na época.

Dentre os confirmados, 115.948 (98,6%) foram classificados por critério laboratorial, por meio de teste molecular (RT-PCR) ou Teste Rápido (TR) para detecção do antígeno ou do anticorpo viral e 1.650 (1,4%) classificados por critério clínico-epidemiológico.

O diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Eduardo Macário, afirmou que alguns estados haviam entrado em contato com o ministério para ampliação dos critérios de confirmação de casos, “inserido o clínico-imagem, o clínico puro e o próprio assintomático, que tem muitos pacientes que davam positivo”. “A nossa alteração nacional foi no sentido de harmonia com aquilo que já era prática diária da clínica”, disse.

 

Huff Post Brasil

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