ALIADOS ESCONDEM TEMER EM CAMPANHAS ELEITORAIS

07 de set de 2018

 

Presidente mais impopular da história do Brasil, Michel Temer sumiu das propagandas eleitorais de seus aliados. Pelo menos 16 ex-ministros do emedebista são candidatos em todo país. Só dois deles citaram o presidente no horário eleitoral na TV e no rádio desde o dia 31 de agosto e em publicações nas redes sociais.

Um, para criticá-lo. Foi o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que concorre no Rio de Janeiro a uma vaga na Câmara de Deputados.Outro que citou Temer, o ex-chefe da Fazenda Henrique Meirelles, o fez de forma discreta, enquanto contava sua história na vida pública, durante o horário eleitoral. O emedebista é candidato à Presidência da República.

Já nas redes sociais, Meirelles não publicou nenhuma postagem que fizesse referência ao atual presidente. Lula, por exemplo, foi citado 26 vezes pelo emedebista.

Os outros ex-integrantes do governo ignoram o presidente. É o que faz Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e que também foi líder do governo no Senado até agosto. O senador emedebista tenta a reeleição em Roraima. Um dos aliados mais fiéis do presidente diz no horário eleitoral que sua proposta para barrar a entrada de venezuelanos no Brasil não foi aceita. “Continuo cobrando providências do presidente”, diz Jucá, sem dizer o nome de Temer.

Enquanto aliados trabalham para se descolar da imagem do presidente, rivais tentam justamente lembrar quem esteve ao seu lado durante o governo.Temer atingiu o índice mais baixo de aprovação em pesquisa do Datafolha, em junho. Seu governo foi considerado ótimo ou bom por 4% dos brasileiro. O índice de quem considera seu governo ruim ou péssimo chegou a 82%.

Em Pernambuco, PT divulgou uma montagem com a “turma de Temer”. Nela, aparecem, Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), Fernando Bezerra (PSB) e Armando Monteiro (PTB).

Em Alagoas, Maurício Quintella Lessa (PR), ex-ministro dos transportes e hoje candidato ao senado, faz menções a sua atuação no governo federal, mas sem nominar Temer. Lessa é testemunha de Temer em sua defesa no inquérito dos portos. A investigação apura se o presidente beneficiou empresas no setor de portos em troca de propina, em decreto editado em 2017.

É um ex-aliado quem mais fez referências ao presidente na propaganda. Jingle do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, candidato a deputado federal, diz, em ritmo de samba, que ele “enfrentou o Geddel das malas/ e também o Vampirão/ foi o primeiro a gritar/ chega de corrupção”.”Vampirão” é um apelido dado por rivais a Temer. E “Geddel das malas” faz referência a escândalo que envolve Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo, preso após operação da Polícia Federal encontrar R$ 51 milhões a ele atribuídos, em malas em um bunker em Salvador.

Quando diz que “enfrentou” Geddel, Calero faz menção direta a seu pedido de demissão em novembro de 2016. Logo após entregar o cargo, afirmou à reportagem, que sua decisão foi tomada porque estava sofrendo pressão de Geddel para que interviesse na aprovação, no Iphan, órgão de preservação subordinado à pasta da Cultura, de projeto imobiliário em uma área tombada em Salvador.

O político foi preso preventivamente em setembro do ano passado, após a apreensão dos R$ 51 milhões. O emedebista foi denunciado por fazer parte, com outros integrantes de seu partido, de organização criminosa que desviava recursos de órgãos públicos e estatais, entre eles a Caixa Econômica Federal, e por ter recebido propina da JBS.

 

Com informações da Folhapress

  • Compartilhe:

Publicidade