SAUDADES DA ESCOLA POLIVALENTE DE BARREIRAS ONDE ESTUDEI

10 de jul de 2021

Roberto de Sena

 

Já fazia muito tempo que eu não entrava na Escola Polivalente de Barreiras. Porém, ao passar em frente a escola em uma manhã qualquer, de um dia qualquer, o fio do tempo levou-me e, tocado por um sentimento de saudades da adolescência, entrei naqueles corredores. Foi como se eu percorresse galerias de saudade.

De repente, vejo-me na sala de aula, no ano de 1978. Menino tímido, sentado no fundo da sala. Ali ao meu lado estão Chico Romeiro, Grazimar Alvim, Carlos Tadeu, Fidel, Ruzio, Bira Lima, Robérico, Daniel, Isolda e tantos outros.

Na luz cinzenta da memória vão brotando os nomes dos colegas do ano de 1978. Relembro cada um deles. O jeito de chegar, de olhar, e, sobretudo, o jeito de cada um prestar atenção nas aulas. Nestas paredes, nestes pátios e nessas salas, os passos e a alegria daquela turma, nunca se apagaram. Eles correm no recreio, gritam por mim. Eu ouço as vozes.

tanto tempo se passou. Cada um seguiu seu caminho na vida. A mim não parece que foi ontem. Foi hoje. Está sendo agora na placidez da lembrança.

As primeiras aventuras, as primeiras descobertas, o primeiro amor, o primeiro medo, foram vividos por mim, ali na Escola Polivalente de Barreiras.

Lembro-me claramente de Selminha, um amor juvenil, ingênuo. Beijos furtivos, um aperto de mão, o lanche que dividíamos. Ah, ia me esquecendo. Tinha também aquele cheiro de manga que vinha de uma mangueira centenária e que amenizava o calor nas quentes manhãs de Barreiras.

Terminamos o primeiro grau, Selminha se mudou com a família para São Paulo e nunca mais tive notícias dela mas guardo com carinho e sincero afeto, a cálida lembrança daquele amor passarinheiro feito de nuvens brancas, céu muito azul e a sirene apitando forte anunciando o final do recreio.

Quando terminavas as aulas descíamos aos bandos para o cais de Barreiras. A liberdade nos olhos, a alegria nos sorrisos e a esperança de realizar muitos sonhos. Eu pensava, já naquele tempo, em ser jogador de futebol ou um escritor famoso. Não fui nenhuma coisa nem outra mas para compensar vou escrevendo esses meus descompassos.

Lembro-me com muita frequência dos professores queridos, mestres da sabedoria e da humildade ao nos ensinar. Francisco Alberto, Maria José, Professor Paulo, Marivaldo, Lívia, Raimundo Severo, Maia, Orlando, Janice e muitos outros. Com eles aprendi lições que jamais sairão da memória.

Feito um monumento, a Escola Polivalente de Barreiras é um referencial eterno em minha vida.

 

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