CONFIRA PREFÁCIO DO DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE CORDEL QUE SERÁ LANÇADO EM OUTUBRO

27 de ago de 2020

PREFÁCIO

Introduzida no Brasil pelos portugueses desde a colonização, a literatura de cordel, vertida nos versos, métricas e rimas dos cordelistas brasileiros, faz parte de um tecido cultural que vive em um processo contínuo de renovação, garantindo a permanência e o registro vivo da cultura de um povo, tendo preservado a sua identidade, fazendo exalar das páginas deste DICIONÁRIO BIOBLIOGRÁFICO BRASILEIRO, a mais pura poesia existente no cordelista, que delineia seus pensamentos de forma rimada.
Oxalá essa obra, que ora chega às suas mãos – caro leitor, cara leitora – e que passeia pelas diversas regiões do Brasil, de cada página folheada desprenda o olor da poesia impregnada nos liames da emoção, mas que decerto também mostrará o valoroso fazer intelectual dos que carinhosamente escreveram neste importante Dicionário.
Assim sendo, este trabalho foi desenvolvido a partir de uma ideia extraordinária que resultou em louvável iniciativa do cordelista Zeca Pereira para, junto à Nordestina Editora, mostrar a importância que o cordelista tem no fazer poético rimado e também dar oportunidade a cada um para que, a partir deste trabalho, tenha a possibilidade de melhorar a integração cultural e social no seu espaço e ainda contribuir para o enriquecimento da literatura brasileira. Podemos assim dizer que o sonho de quem escreve é o de (re)colher (re)conhecimento do feito do seu eu, das suas ideias, que serão passadas adiante para o leitor ávido por conhecimentos.
Nesse sentido, constatamos que esta obra, apresentada à sociedade literária brasileira, possui uma peculiaridade com relação ao Dicionário Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada, que foi lançado em 1978, isto é, há 42 anos, e publicado como um trabalho de pesquisa pelos autores Átila Augusto F, de Almeida e José Alves Sobrinho. No Dicionário Bibliográfico Brasileiro, os poetas/cordelistas são coautores, por terem escrito suas biografias e elencado suas obras.

 

Ressaltamos que a forma democrática como foi escrito este trabalho mostra o valor gigante dos escritores cordelistas, aqui devidamente representados, com suas vozes poéticas, centradas no lirismo e no devir da escrita poética, particularmente nas orações desenvolvidas pela escrita e outras vezes dedilhadas nos solos das violas, tornando amplamente festiva a Literatura de Cordel como musa, seja na escrita, seja na apresentação oral, cantada ou recitada, ou simplesmente como forma de mostrar o seu potencial próprio e o deslindar poético no seu cotidiano.

Natal, 05 de agosto de 2020.

Geralda Efigênia Macedo da Silva
Professora Mestre, Cordelista, Escritora, Poetisa.

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