PERDA COGNITIVA É UMA DAS SEQUELAS DA COVID-19, DESCOBRE NEUROCIENTISTA FABIANO DE ABREU EM ESTUDO

04 de maio de 2021

O estudo foi realizado em parceria com o médico Dr. Roberto Yano e publicado no Journal of Development Research

Enquanto o mundo é tomado pela esperança das vacinações em massa — que devem diminuir a letalidade e propagação do Sars-Cov-2, causador da Covid-19 —, cientistas do mundo inteiro estudam as possíveis sequelas que estão atingindo os recuperados da doença. Entre as maiores preocupações, a forma como o vírus pode afetar os neurônios e levar à debilitação da saúde mental é a mais discutida.

Doutor em Ciências da Saúde nas áreas de neurociências e psicologia, membro da Federação Europeia de Neurociência, Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociência, mestre em psicanálise pelo Instituto Gaio membro da Unesco, especialista em propriedades elétricas dos neurônios em Harvard e voluntário do exército português para assuntos de coronavírus, o Dr. Fabiano de Abreu alerta sobre os perigos dos efeitos permanentes da doença no sistema nervoso em um estudo publicado no International Journal of Development Research.

No levantamento, realizado em parceria com o médico e cardiologista Dr. Roberto Yano, o neurocientista Fabiano de Abreu mostra preocupação quanto aos traumas que o novo coronavírus gera no âmbito psicológico. Isto porque ele conclui que o vírus pode penetrar nas células nervosas. Pacientes, frequentemente, descrevem dores de cabeça, dores musculares, articulares e fadiga mental como sintomas pós-infecções.

“Sabemos que, neurologicamente, teremos danos seja ao nível celular ou da própria infecção, que pode causar traumas que afetam a nossa capacidade cognitiva e que resultam em transtornos, síndromes ou outras variáveis futuras”, esclarece. “Ainda na minha área de enfoque, preocupa-me também a saúde mental da sociedade em geral que está, ao nível geracional, a vivenciar algo deste tipo pela primeira vez”, completa.

Somado aos efeitos do isolamento social — que diversos estudos já apontam como um potencializador de doenças da mente, como é o caso da ansiedade, síndrome do pânico e depressão —, a própria doença pode alterar a saúde mental. Apesar dos estudos, ainda preliminares, apontarem uma gravidade não tão elevada, é ressaltado pelo neurocientista que essas sequelas não são tão fáceis de descobrir e completar um quadro clínico único.

“Mesmo quando os pacientes se recuperam fisicamente, visto que em casos de complicação o corpo fica bastante debilitado, há relatos de perda de memória, desorientação e confusão mental. Ainda não é de conhecimento a causa dessas experiências, embora também possam derivar da inflamação generalizada que pode se desenvolver com a doença. É preciso alertar, porém, que não é incomum que essa fadiga e confusão durem meses, mesmo após um quadro leve da doença”, alerta.

Segundo o neurocientista, a atenção é necessária para avaliar se as sequelas são ou não irreversíveis. “Pacientes com Covid-19, mesmo recuperados, por exemplo, ainda sofrem com a mudança no paladar e olfato, que pode ser irreversível. Isso está relacionado à lesão causada, principalmente, nos neurônios sensoriais, primários. Com os outros efeitos, a lógica pode ser a mesma”, finaliza Dr. Fabiano de Abreu.

 

 


Jennifer da Silva 
Suporte MF Press Global
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