OTTO E LEÃO REAGEM A ENTREVISTA EM QUE LULA CRITICOU RUI E SEUS ALIADOS

19 de set de 2019

Aliados de grande prestígio no governo Rui Costa (PT), representantes do PSD e PP baianos afirmaram nesta quinta-feira (19) que não vestem a ‘carapuça’ que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou lhes colocar em entrevista exclusiva concedida à revista Fórum na qual criticou o petista e seus aliados na Bahia. Ambos sugeriram que a declaração tem relação com o estado em que o ex-presidente se encontra. O líder petista, em entrevista à revista Fórum, de Curitiba, onde se encontra preso, em resposta às polêmicas declarações do governador Rui Costa (PT) à revista Veja do último fim de semana, declarou que Rui tem que saber que parte dos aliados que ele tem na Bahia “são inimigos do PT em nível nacional”.

O senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, assegurou ter certeza de que Lula não se dirigiu a ele. “Pois, se teve alguém que foi leal ao PT, a Lula e a Dilma em Brasília fui eu. Não apenas votei contra o impeachment da ex-presidente Dilam [Rousseff], com muita independência e consciência, como na ocasião da CPI do Carf na Câmara Federal [Comissão parlamentar de inquérito instaurada para apurar um esquema de venda de sentenças que funcionava no Conselho Administrativo de Recursos Federais], quem entrou com requerimento para não convocá-lo, bem como a um dos seus filhos fui eu”, relembrou, observando que Lula pode estar esquecendo dos fatos pela atual situação em que se encontra e ele lamenta.

“Portanto, essa carapuça não pega na minha cara, tenho certeza que ele não está se dirigindo a mim, ele é meu amigo”, reforçou o líder do PSD. Otto, por sua vez, não deixou de classificar o governador Rui Costa como melhor opção para o embate presidencial em 2022 do que o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). “Lula colocou a posição dele, mas na posição de baiano penso que Rui é um nome sim, muito bem avaliado enquanto governador e, melhor do que Haddad, que foi péssimo prefeito de São Paulo, mas que fique claro que quem manda no PT é Lula, eu falo pelo PSD”, afirmou. Ainda em defesa de Rui, o líder pessedista disparou que toda celeuma se dá pelo fato de o gestor da Bahia estar tendo destaque.

“E os insatisfeitos não estarem encontrando remédio para dor de cotovelo nas farmácias, até porque não vende, não existe, a indústria farmacêutica ainda não criou”, declarou, cutucando os petistas. O vice-governador João Leão, presidente estadual do PP, ainda que em tom mais ameno, disse que se a declaração foi direcionada a ele não o atinge. “Não me atinge. De Lula nós perdoamos tudo, principalmente levando em conta o problema que ele está vivendo. Se foi comigo, vamos perdoá-lo, se foi com os outros que os outros os perdoem”, ponderou Leão, enfatizando que, além de estar preso, Lula perdeu a esposa e o neto. “Mas foi um dos melhores presidentes que o nosso país já teve, não merece o que está passando”, concluiu.

Às Páginas Amarelas da Veja, Rui defendeu a união da esquerda sem condicionar apoio à bandeira “Lula Livre” e insistiu que o PT precisa diminuir a liderança individual dentro do partido, o que provocou a ira da militância nas redes sociais e uma reprimenda pública da direção nacional do PT, a qual o acusou de antecipar a discussão sobre a Presidência e encampar um movimento “pós-Lula”. As declarações do ex-presidente do PT à Fórum com críticas a Rui reforçaram as especulações de que o líder maior petista pode ter estado por trás da decisão da executiva nacional do partido de aplicar uma reprimenda pública no governador da Bahia.

 

Por: Fernanda Chagas

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