OPERAÇÃO FAROESTE: EM MENSAGENS, DESEMBARGADORES FALAM EM IMPEDIR ELEIÇÃO DE JATAHY FONSECA

22 de jun de 2021

 

 

O desembargador Gesivaldo Britto, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em conversas com o desembargador José Olegário Monção Caldas, afirmou que não poderiam perder o comando da Corte. A conversa foi capturada pelo Ministério Público Federal, no curso das investigações originadas na Operação Faroeste e consta no pedido de renovação da prisão da desembargadora Ilona Reis.

As mensagens foram trocadas entre os desembargadores no dia 2 de novembro de 2019, nas vésperas da eleição que ocorreria e da deflagração da 1ª fase da operação, que culminou com o afastamento dos magistrados.

Na conversa, Gesivaldo afirma que se submete à vontade do grupo e que precisariam se prevenir contra o desembargador Jatahy Fonseca “em futuro não muito longínquo”. “Esse cidadão não pode, em hipótese alguma, presidir a Corte!!!”, escreveu.

Antes, Olegário perguntou a Gesivaldo se ele teria o ligado no dia anterior e que estava às ordens. Também perguntou se o desembargador apagou sem querer as mensagens e que, “quanto mais desmontarmos os de lá, com a desembargadora, causa perda e embaraços para eles”.

Gesivaldo assume que estava apagando mensagens mais antigas e que a de Olegário “foi no meio”. A desembargadora em questão era Dinalva Laranjeira. Gesivaldo diz que ela “desgostou” dele por ter tirado o cargo do genro dela, “que já é concursado e não quer porra nenhuma, não trabalha, falava mal da administração e dizia que ninguém tirava ele… e eu tirei!!!”. Ele também diz que não sabia se Olegário sabia disso e que ela não merece a mínima confiança por ser “subordinada a Jatahy e a Mario Alberto… você é quem sabe, certo?”.

Nisso, Olegário responde que sabia, mas pontua que eles a envolveram no esquema, e que se ela “faz uma declaração pública e todos ficam sabendo que mudou de lado”. Foi nesse contexto que Gesivaldo afirmou que, em hipótese alguma, Jatahy poderia vir a se tornar presidente do TJ-BA.

Para o MPF, é nítido que havia destruição de conversas de WhatsApp e que havia uma possível atuação contrária da desembargadora aos interesses da organização criminosa formada para vender sentenças sobre uma disputa de terras no oeste baiano. O grupo é encabeçado pelo “quase-cônsul” da Guiné Bissau, Adailton Maturino.

 

por Cláudia Cardozo/ Bahia Notícias

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