MORADORES DE RUA UM PROBLEMA QUE SE AVOLUMA EM BARREIRAS

13 de ago de 2018

Cresce o número de moradores de rua em Barreiras. Este que era um sério problema típico dos grandes centros, atinge também as cidades de médio e até de pequeno porte no Brasil. No Centro Histórico de Barreiras eles são vistos dormindo embaixo de marquises de lojas e prédios abandonados. A problemática dos moradores de rua não é exclusivamente brasileira, e está presente em grande parte, principalmente nos países de terceiro mundo.

Diversos comerciantes que trabalham no Centro Histórico de Barreiras se sentem prejudicados, já que os clientes simplesmente estão desaparecendo do local pela falta de segurança e até mesmo de higiene, já que este é o setor da cidade com maior número de prédios abandonados. Buscando minimizar a situação, a prefeitura de Barreiras está realizando trabalho de higienização nas ruas do centro, utilizando um caminhão pipa com detergente específico, lavando as principais vias daquele local.

Mas o que leva o cidadão a ser um morador de rua? Segunda pesquisa realizada pelo MDS – Ministério do Desenvolvimento Social que quantificou e qualificou estes fatores, o que mais leva a pessoa a ser morador de rua é o alcoolismo e ou uso de drogas (35,5%), perda de emprego (29,8%) e conflitos familiares (29,1). Dos entrevistados, 71,3% citaram ao menos um dos três motivos. Outro fator que chamou bastante a atenção é com relação a perda de emprego, que gera um grande conflito familiar, onde o indivíduo acabou indo morar na rua e consequentemente passou a usar álcool e drogas. Apesar de não ser comum, existem pessoas que escolhem viver nas ruas, e afirmam que essa noção está ligada ao sentido de liberdade.

São classificados como moradores de rua pessoas que passam as noites dormindo sob marquises, em praças, embaixo de viadutos e pontes. Além desses, também são utilizados locais degradantes como casas e prédios abandonados e carcaças de veículos, que tem pouca ou nenhuma higiene. Eles são de diferentes nas vivências, mas que acabam formando grupos pelo fato de se identificar com o outro na mesma situação. Segundo a pesquisa, é quase impossível quantificar o número de moradores de rua no Brasil por eles mudarem de local com frequência, mas ainda assim foi possível obter dados consistentes:

 

Perfil da população em situação de rua no Brasil

Gênero: O primeiro ponto a ser ressaltado: a imensa maioria de quem vive nas ruas são homens. Do total dessa população, 82% é masculina. De toda a população masculina, a maioria é jovem: 15,3% são homens na faixa etária dos 18 aos 25 anos. A faixa da idade com o maior número de homens em situação de rua é a dos 26 aos 35 anos, com 27,1%.

Já a população feminina representa os outros 18% do total de pessoas que vivem em situação de rua. A maioria das mulheres também é jovem e está nas ruas com idade menor do que a dos homens: 21,17% delas têm entre 18 e 25 anos e 31,06% têm entre 26 e 35 anos.

Cor da pele: Quanto à cor de pele de todas as pessoas que vivem nas ruas, 39,1% se autodeclararam pardos na pesquisa; 29,5% se declararam brancos e 27,9% se declararam pretos. No censo do IBGE – que junta negros e pardos –, contabiliza a população brasileira em 53% de negros e 46% de brancos. Levando em conta a população em situação de rua, se formos usar o mesmo método, a representação negra é de 67% – bem mais alta que a sua representação na população brasileira.

 

QUAIS SÃO AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A SITUAÇÃO DE RUA NO BRASIL?

As políticas públicas são de responsabilidade do governo federal, dos estados e dos municípios brasileiros quanto à assistência social para a população em situação de rua no país. As garantias constitucionais de dignidade da pessoa humana e do direito à moradia já colocariam essa responsabilidade ao Estado, mas também foram feitas leis específicas para essa população.

A principal delas foi a Política Nacional para População em Situação de Rua, implementada em 2008, em que há uma série de determinações, como a capacitação de profissionais do direito, a oferta de serviços de assistência social, na inclusão da população na intermediação de empregos, na criação de alternativas de moradia, entre muitas outras.

 

Por Romildo Sena

FOTO: ALÔ ALÔ SALOMÃO

 

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