LAVA JATO VOLTA A PRENDER EIKE BATISTA

08 de ago de 2019

A Polícia Federal prendeu novamente, na manhã desta quinta-feira (8), o empresário Eike Batista. É a segunda vez que o dono da EBX vai para a cadeia.

A operação foi motivada a partir do desenrolar das investigações das operações Calicute, Eficiência e Hashtag, além das delações de seis pessoas, entre elas, do empresário Eduardo Plass, homologadas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Em seu depoimento, o colaborador Plass assinalou que os sócios do banco TAG BANK constituíram a empresa The Adviser Investments (TAI) para gerir os recursos deles no exterior: “contudo, posteriormente passaram utilizar a TAI para operações financeiras ilícitas”, explicou Plass na delação.

Assim, segundo Plass, Eike e seu sócio, Luiz Arthur Andrade Correia, o Zartha, diretor de investimentos da EBX, recebiam informações privilegiadas e investiam no mercado financeiro sem que seus nomes aparecessem.

Dessa forma, os ganhos eram revertidos em propinas para o governador Sérgio Cabral. Os investigadores calculam US$ 16,5 milhões em propina para que o então governador favorecesse os “interesses privados das empresas do Grupo X no Estado do Rio de Janeiro”.

Eike estava em casa, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde há cerca de dois anos e meio cumpria prisão domiciliar. A defesa de Eike Batista informou, em nota, que apresentará recurso.

Batizada de Segredo de Midas, a operação, um desdobramento da Lava Jato, busca provas de manipulação do mercado de ações e de lavagem de dinheiro.

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do RJ, expediu para esta fase da Lava Jato dois mandados de prisão:

  1. Eike Furkhen Batista, já cumprido;
  2. Luiz Arthur Andrade Correia, o Zartha, diretor de investimentos do grupo EBX. Ele está no exterior.

Há ainda mais quatro mandados de busca e apreensão.

Condenado a 30 anos

Eike Batista já chegou a ser o homem mais rico do Brasil. Entre 2010 e 2012, período em que chegou a ser listado como o 8º mais rico do mundo, Eike acumulou fortuna que variou entre US$ 27 bilhões e US$ 34,5 bilhões.

O empresário foi preso pela primeira vez no final de janeiro de 2017 logo após desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, vindo do exterior. Cerca de três meses depois, no final de abril de 2017, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, ele deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para cumprir prisão domiciliar.

A primeira condenação saiu em julho do ano passado. O juiz Marcelo Bretas sentenciou Eike a 30 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O empresário foi réu no mesmo processo em que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi condenado a 22 anos e 8 meses de prisão.

Dois doleiros haviam afirmado que o empresário pagou US$ 16,5 milhões (ou cerca de R$ 65,74 milhões, na conversão atualizada) a Cabral em propina. O pagamento teria sido feito em troca de contratos com o governo estadual.

Via: G1

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