INVESTIGAÇÃO APONTA VÍNCULO DO MBL EM DIVULGAÇÃO DE FAKE NEWS CONTRA MARIELLE FRANCO

23 de mar de 2018

 

O Movimento Brasil Livre (MBL), e Kim Kataguiri, está envolvido na divulgação da campanha difamatória contra a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada com o motorista Anderson Gomes no último dia 14. Dados colhidos pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e uma investigação feita pelo O Globo mostram que o link do site Ceticismo Político, cujo autor é ligado ao MBL, foi compartilhado 360 mil vezes no Facebok. A publicação foi feita no dia seguinte ao assassinato e foi fundamental na disseminação das acusações que surgiram após o assassinato, como que Marielle já havia se relacionado com o traficante Marcinho VP e com a facção Comando Vermelho. A publicação tinha como gancho a declaração da desembargadora Marília Castro Neves, do Rio de Janeiro, que disse ter obtido essas informações em um texto de WhatsApp. De acordo com O Globo, o texto, na verdade, se baseou em uma reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que citava ainda a mobilização de um grupo de advogados para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se pronunciasse sobre o caso. O Ceticismo Político, então, subverteu o texto original e disse que a reação dos advogados se tratava de uma manifestação da “extrema esquerda”. O site em questão é administrado por Luciano Henrique Ayan, que não possui fotos nem referências em bancos de dados públicos.

O MBL diz que não é responsável por administrar o perfil de Ayan e que não o conhece. No entanto, interações nas redes sociais entre o grupo e o responsável pelo site evidenciam a proximidade. Quatro horas depois de o Ceticismo Político lançar a suspeita sobre a vereadora, o MBL replicou a publicação no Facebook, que rendeu 33 mil compartilhamentos. Esta não é a primeira vez que ambas as partes dialogam. Em 2016, o MBL publicou no Facebook um texto divulgando um texto de Ayan escrito para o blog do grupo. No Twitter, o próprio MBL já replicou mensagens de Ayan, bem como o núcleo em Campinas, que republicou uma postagem na qual Ayan criticava o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, por pedir quebra de sigilo bancário de Michel Temer. O domínio ceticismopolitico.org está ativo em nome de Luciano Ayan desde novembro do ano passado, registrado por uma empresa com sede na Dinamarca, usada para manter oculto o nome verdadeiro do proprietário do domínio. O artifício foi usado em outras ocasiões, como quando o domínio era ceticismopolitico.com, registrado por uma empresa do Canadá. Ayan não foi encontrado para comentar o assunto.

 

Via: Bahia Notícias

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