FATOR ‘OTTO ALENCAR’ PODE SER FUNDAMENTAL PARA DISPUTA DAS ELEIÇÕES EM 2020 E 2022

07 de maio de 2019

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, brincou nesta segunda-feira (6) sobre a chance do próximo governador da Bahia ser um dos atuais três senadores: Otto Alencar, Jaques Wagner e Angelo Coronel. Kassab pode não ser o melhor leitor do futuro, porém é possível admitir que esses três estariam muito mais próximos de uma candidatura ao Palácio de Ondina em 2022 do que outros membros do grupo político do atual morador, Rui Costa. No entanto, a convenção soteropolitana do PSD foi uma demonstração expressiva de que Otto será naturalmente alçado à condição de candidato.

O PSD é, sem sombra de dúvidas, o partido de maior capilaridade na Bahia atualmente. Além de ter saído das urnas com um número maior de prefeituras no comparativo com outras legendas, possui dois senadores e controla a União dos Municípios da Bahia (UPB). Em 2020, tende a continuar com uma quantidade considerável de prefeitos e disputar frente à frente com o PP por protagonismo político nas eleições municipais – já que o PT ainda segue em curva descendente no plano geral e a força política da oposição não conta com a máquina a seu favor. Por isso o partido será tão relevante na construção eleitoral dos próximos dois pleitos.

Para além do próprio PSD, existe o favor Otto Alencar na questão. O senador é um político experimentado cuja trajetória acompanhou o fluxo do poder no estado. Foi vice-governador na era carlista e quase encerrou a carreira no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), após indicação do grupo que então dominava a cena na Bahia. Em 2010 ressurgiu como candidato a vice na reeleição de Jaques Wagner para, quatro anos depois, vencer com folga a disputa por uma vaga no Senado. É um homem de várias facetas – não de um modo pejorativo, frisemos -, com desempenho eleitoral tão relevante que ninguém o quer como adversário.

Mesmo que Otto prefira disputar a reeleição ao Senado em 2022, o papel dele será fundamental para quem quiser chegar ao governo da Bahia. Depois de Rui Costa e ACM Neto, ele é um dos grandes eleitores dos processos municipal e estadual. Talvez até com maior penetração e influência do que os outros dois, que tiveram que focar ao longo dos últimos anos em processos eleitorais em que estavam pessoalmente envolvidos. Enquanto o prefeito de Salvador e o governador buscavam as respectivas reeleições, Otto pode conversar e articular com lideranças do interior com liberdade – e é inegável que o socialdemocrata é bom nisso.

Ainda assim não é desprezível que Wagner e Coronel também participem de uma eventual disputa pelo governo na próxima eleição. Todavia, se depender de torcida e de incentivo dos correligionários, Otto está praticamente com o nome nas urnas. É como se estivesse com a faca, esperando apenas o queijo chegar para cortar.

 

Por: Fernando Duarte

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