CRÔNICA DE RONALDO SENA EM HOMENAGEM AO DIA DO FOLCLORE

22 de ago de 2019

 

Eu posso falar de caipira

Dei caipora

Mas o poeta pediu para eu prestar atenção

Encostado no barranco

Ver o cão chupando manga

De admiração

Só porque o saci

Largou o cachimbo

E amigou com o caipora

Anda assumindo e sorrindo

Quer duvidar preste atenção

A gia rapa cuia

Feito Edite do prato

Chamou o sapo

Com sua orquestra

Fizeram festa na floresta

O saci e o caipora agora vão se casar

E o nego d’água sentado na pedra

Encantado com as lavadeiras

Cada esfregada na roupa

Rebolava as cadeiras

Com as suas arrelias mergulhou

Foi atrás dos seus amores

Duas nega d’água

Debaixo d’água

Namorando um nego d’água

Se afogando de amor

E matando os solitários de raiva

Com suas mágoas

E na estrada a mula sem cabeça

Cheio de mulinhas

Assobiando e cantando

Balançando a cabeça

Dela e dos outros

Dizendo que a noite é dela

O céu é celestial

As estrelas com seus astrais

Cintilava para a lua

Que louca e nua

Provocava uma crua maldade

De ciúmes em São Jorge

E a mula quebrando a cabeça

Do povo sem cabeça

Antes que eu esqueça

O poeta pediu pra eu prestar atenção na voz do vento

Nas palavras em silêncio

Eu pude contemplar

O vento contou várias histórias

E me entregou essa nessa hora

Agora ela vai para o mundo feito o vento

Ouve e lê que tem prazer

Eu tive e pude escreve

 

 

Do poeta Ronaldo Sena

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