CANTO NEGRO – Roberto de Sena (HOMENAGEM AO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA)

20 de nov de 2017

 

CANTO NEGRO

 

Eu vim da África

Num delírio longo

Do Congo até aqui

 

Eu trouxe nos olhos

E dentro de mim

A luz da Nigéria

A flor do Benim

 

Eu vim da África

Num navio negreiro

Enfrentei o desespero,

Capoeira, pé ligeiro,

Fugi do cativeiro,

Pelas mãos de Zumbi

Eu cheguei aqui

Me rebelei e é belo se rebelar

Ter coragem pra não se curvar,

Fui um penitente, desobediente,

Quebrei a corrente

Hoje sou sobrevivente

E guiado por Zumbi

Eu cheguei aqui

Nas minhas veias lateja

O sangue dos antepassados

Eu sempre guardei

O delírio longo

Do Congo até aqui

E trouxe dentro de mim

A luz da Nigéria

A flor do Benim

 

 

 

Eu sempre soube

Que resistir é superar a dor

E preservar a alegria

É saber transformar

O sofrimento em poesia

 

 

 

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