ASCENSÃO DE ALCKMIN NO PSDB NACIONAL FORTALECE JOÃO GUALBERTO NA BAHIA

28 de nov de 2017

Há um efeito colateral da ascensão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao comando do PSDB nacional, caso se confirme a eleição em chapa única liderada pelo tucano no próximo dia 9 de dezembro: o deputado federal João Gualberto se fortalece no comando da legenda na Bahia. Gualberto integra o grupo que defende a saída do PSDB da base aliada do presidente Michel Temer e foi indicado pelo senador Tasso Jereissati (CE) para acompanhar as discussões sobre a eleição do diretório nacional do partido. Era parte do núcleo que fazia contraposição ao senador Aécio Neves (MG), que trocou o mandato pela salvação de Temer na Câmara e mantinha um grupo do PSDB fiel ao Palácio do Planalto. Alckmin chegou para apaziguar os ânimos entre Tasso e Aécio, que, até então, defendia a candidatura do governador de Goiás, Marcone Perillo, para o comando do tucanato. O recuo de Tasso e Perillo, que abriram mão do comando da legenda para que Alckmin unificasse o partido, é sinal de que o grupo do senador cearense ganhou musculatura e evitou uma cisão mais séria – Tasso foi o primeiro a apontar que Alckmin seria um nome de consenso.

Tal condição coloca Gualberto numa posição confortável para permanecer no comando da legenda na Bahia, com apoio de Jutahy Magalhães Jr., outro tucano que defendeu o desembarque do governo Temer. E isola ainda mais o ministro Antônio Imbassahy, que está na berlinda e deve sobreviver na Esplanada até a votação da reforma da Previdência, já que Temer não precisa de mais desgaste do que a própria imagem dele já causa. Na convenção do PSDB da Bahia, que reconduziu Gualberto para a presidência, Imbassahy já estava sozinho, tentando convencer os presentes – e a si mesmo – sobre as supostas melhorias trazidas pelo chefe do Executivo. O fortalecimento de Gualberto vem para descartar de vez a hipótese que circulou na imprensa de que poderia haver uma intervenção no diretório local, conduzida pelo grupo de Aécio. A pacificação deixa a direção nacional do PSDB e Gualberto em águas mais tranquilas, enquanto Imbassahy ainda segue sob a turbulência do desgoverno do qual insiste fazer parte.

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