ABL APOIA CAMPANHA POR ATALIBA

19 de ago de 2020

A Academia Barreirense de Letras (ABL) apoia a campanha em favor do tratamento de saúde do membro da entidade, Ataliba Campos Lima, 79 anos, diagnosticado com câncer no pulmão.

Com dificuldades para conversar e impossibilitado de trabalhar normalmente, ele precisa de apoio financeiro, principalmente agora que a doença retornou, com foco no aparelho respiratório.

A expectativa é que a partir do final do mês de agosto ele deverá viajar para Salvador para iniciar um novo tratamento.  No ano passado e nos primeiros meses de 2020 o artista fez tratamento contra um câncer de garganta.

“Ter um diagnóstico de câncer não é fácil. Ter recidiva é reviver as emoções da experiência anterior, com a incerteza do amanhã”, afirmou a membro da ABL, professora e escritora Ananda Lima.

Ela lembrou que Ataliba não pode falar muito, “mas é importante uma palavra amiga, uma oração e quem puder contribuir financeiramente, auxilie neste momento difícil”.

Ataliba é um sensível artista barreirense, com domínio não só nas artes plásticas, área que se tornou mais conhecido. Também é um exímio poeta, focando, em grande parte do seu trabalho a injustiça social.

“Vivemos um ano de muitas perdas no universo cultural”, lamentou o presidente da ABL, professor e escritor Valney Rigonato, destacando que o confrade Ataliba se encontra na luta contra o câncer e, neste  contexto, está precisando do apoio da comunidade.

Para Valney, a contribuição de Ataliba no cenário artístico e cultural da cidade é incontestável. “Então, quem puder ajudá-lo estará ajudando a arte, a cultura e a literatura de Barreiras e da região”. As contribuições podem ser feitas pela Caixa Agência 0783 Operação 013 conta 00118340-0 . Mais informações pelos fones 77) 99836 4220 e 99930 4022.

Texto Miriam Hermes

Fotos: Arquivo pessoal do artista

Segue um dos seus poemas.

Gostaria

Gostaria eu

de ser o único sem ter onde morar,

dependente constante do aluguel cruel,

da ambição daqueles que não se fartam.

Gostaria eu

de ser o único desempregado,

independente de carteira ou documento outro

que venha ditar obrigações só minhas.

Gostaria eu

de ser o único doente incurável,

vítima da farmácia gananciosa,

da burocracia dos hospitais públicos.

Gostaria eu

de ser o único sem sentir a dor

do filho deficiente físico ou psíquico,

a negar-lhe seus direitos e deveres.

Gostaria eu

de ser o único a clamar pela liberdade,

de sair quando for necessário ficar,

chegar quando não houver necessidade.

Gostaria eu

de ser o único quando adulto,

não tivera lembrança do circo,

não tivera lembrança da infância.

Gostaria eu

de ser o único sem oportunidade

de frequentar uma escola ou faculdade,

de não saber ler ou escrever.

Gostaria eu

de ser o último na escala social,

sem ter que presenciar passivamente

uma fila inesgotável daqueles que nada tem.

Gostaria eu

de ser o único marginalizado

desta sociedade insana e perversa,

deste sistema arcaico e selvagem.

Gostaria eu

de ser o único dos oprimidos,

de ser o último dos corrompidos,

o único que não lutasse pela JUSTIÇA SOCIAL.

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