BRASILIENSES CELEBRAM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE COM EVENTO NO SEBINHO

01 de nov de 2018

Há 116 anos nascia um dos maiores poetas da língua portuguesa. A celebração do Dia D, lembra o escritor nascido em Itabira (MG)

Natural de Itabira, Minas Gerais, Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902. Formado em farmácia na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, nunca exerceu a profissão. Desde cedo, mostrava aptidão e amor pelas palavras. Foi expulso do Colégio Anchieta, internato jesuíta no Rio de Janeiro, por “insubordinação mental” depois de sucessivas discussões com o professor de português. Desde aquela época, com apenas 17 anos, discordava em vários pontos que tangiam a norma culta e a forma correta de se escrever. “Quando nasci, um anjo torto/desses que vivem na sombra/disse: Vai Carlos! ser gauche na vida”, como ele diz no Poema de sete faces.

Drummond foi o maior nome da Geração de 1930, ligado ao movimento modernista. Uma das obras mais famosas, a poesia No meio do caminho, lançada em 1928, causou um grande escândalo entre a crítica pelo excesso de repetições e outras questões gramaticais. Por mais que tenha produzido contos e crônicas, tornou-se referência como poeta. Deixou um grande e respeitável legado reconhecido não só em âmbito nacional. A estátua do poeta itabirano também tornou-se parada obrigatória para quem visita a praia de Copacabana, no Rio.
Para homenagear o grande autor, o Instituto Moreira Salles instituiu, em 2011, o Dia D de Drummond. Comemorado no Brasil e em Portugal,  31 de outubro representa uma oportunidade de incentivar o estudo da poesia e desenvolver atividades de estudo e análise da obra do mineiro. Pelo site www.diadrummond.com.br, é possível conferir as programações propostas em diferentes cidades.

Celebração candanga

Em Brasília, o Feitiço Mineiro e a livraria Sebinho realizam um dia especial e voltado ao poeta. “O carinho do público pelo Drummond é muito grande. Há um interesse muito grande entre a juventude. É um poeta completo. A empatia do público com ele é muito grande”, explica Antônio Carlos Queiroz, responsável pela organização do evento.
As programações começam às 12h, com o Cardápio Literário. Enquanto os clientes da livraria e do bistrô aproveitam o menu mineiro, que toma conta da casa durante o almoço eo jantar, o ator e poeta Adeilton Lima declama poemas de Drummond escolhidos pelos clientes. A atividade ocorre até as 14h e a programação continua a partir das 19h.
Uma das principais atividades da noite é o concurso literário. Com uma categoria para o público geral, neste ano também surgiu a categoria para estudantes de ensino fundamental e médio a partir de 14 anos. “Os jovens, ao contrário do que dizem as más-línguas, estão interessados em ler”, destaca Antônio Carlos. “Essa garotada tem ideias ricas, não só o vocabulário”, completa. Os escritores dos poemas escolhidos pelo júri ganham um vale-compra de R$ 200, R$ 300 ou R$ 500, que pode ser usado no Sebinho. As obras selecionadas serão lidas pelo júri formado por Danilo Gomes, Fabio Coutinho e Noelia Ribeiro.
Paulliny Gualberto foi uma das três pessoas que compôs o júri da categoria Público Geral. Dentre os temas dos poemas recebidos, ela destaca os mais recorrentes: “Eu notei que, este ano, por causa da situação do país, o tema política apareceu muito. Isso mostra que o cenário influencia na criação. Outros dois temas recorrentes foram Drummond e Brasília, a cidade também foi outro mote para a escrita.”
Segundo ela, promover encontros para refletir sobre o legado do autor é essencial: “Quando a sociedade comemora a vida e a obra de um escritor, é um sinal muito bom, porque ele conseguiu tocar as pessoas, deixar uma marca”. Paulliny complementa: “Brasília tem esse pezinho no fazer poético”.

Expectativa

Com base no público do ano passado, Antônio Carlos espera cerca de 500 pessoas para a comemoração deste ano. Além do anúncio dos vencedores do concurso literário, a programação noturna também conta com uma encenação do famoso poema O caso do vestido, de Drummond, pelo professor Roberto Medina. O poeta Pedro Tierra também declama dramaticamente algumas obras, assim como o ator Adeilton Lima, que retorna para uma récita de poemas. Sob os comandos da poetisa Marina Mara, a atividade Declame para Drummond reúne poetas da cidade para declamar poemas que se relacionem, de alguma maneira, com o autor.
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A área externa da livraria fica decorada com cordões entre as tendas que compõem o Cordel de Drummond. Diversas obras do autor ficam à disposição do público, que pode declamar os textos. “É uma sessão interessante, as pessoas participam muito e se cria um bom momento”, explica Antônio Carlos. A programação será finalizada, às 22h, com um pequeno show do compositor, cantor e guitarrista Márcio Bonfim.
Desde 2015, 31 de outubro também é o Dia Nacional da Poesia, em reconhecimento ao trabalho do poeta mineiro. Antes, a data era celebrada em 14 de março, no dia do nascimento do baiano Castro Alves. Sobre a importância de relembrar Drummond, Antônio reflete: “Ele fala do universo, da vida simples do brasileiro que veio da zona rural para a cidade e agora enfrenta os problemas que todo mundo enfrenta e se distrai com música e livros. Falou sobre a Segunda Guerra, a democracia, algumas dúvidas pessoais e filosóficas. Ele é um modelo literário.”

Dia D de Drummond

• Livraria Sebinho (406 Norte, Bl. C). Hoje, das 12h às 14h e das 19h às 22h. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Programação

12h às 14h:
• Cardápio Literário
A partir das 19h:
• Declame para Drummond (com soltura de balões brancos com os poemas do projeto Declame para Drummond 2018, que este ano teve 83 poetas participando de todo o Brasil.
• A ação é um pedido de paz e uma homenagem a Drummond a partir da capital do país)
•  Récita de Poemas com Adeilton Lima
• Declamação dramática com poeta Pedro Tierra
• Encenação de O caso do vestido por Roberto Medina
• Cordel de Drummond
• Anúncio dos poemas vencedores do concurso literário
• Show com Márcio Bonfim
MURAL DO OESTE / Com Correio Braziliense
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